Aula 04 – 29/04/2020

LITURGIA AULA 4 ML PARTE 2

Leitura complementar:

SÍNTESE DA CARTA ENCÍCLICA MYSTICI CORPORIS DE PIO XII

A carta Encíclica Misticis Corporis Christi (MCC), datada de 29 de junho de 1943, do  Papa Pio XII publicada durante a segunda Guerra Mundial, versa sobre a Igreja como Corpo Místico de Cristo, é considerada como uma das mais importantes Encíclicas do Papa Pio XII, não só porque o seu conceito de Igreja, fora incluído totalmente na Lumem Gentium, mais também porque foi muito debatida durante e depois do Concilio Vaticano II, em suma, a Igreja é chamada Corpo, porque é um membro vivo de Cristo, porque Cristo é a cabeça e fundador, e este nome místico porque não é só puramente físico, ou uma unidade puramente espiritual, senão sobrenatural.

A introdução do documento é muito clara, o Papa logo de início deixa claro o motivo do documento, para a grandeza da doutrina do Corpo Místico e a gravidade dos erros da época que  impeliram o papa a falar da Igreja militante, no entanto deixa claro deixa desde início que: da mesma forma que Jesus Cristo, seu divino fundador, a Igreja também é desconhecida e desprezada. [MC3]

E para começar, note-se que assim como o Redentor do gênero humano foi perseguido, caluniado, atormentado por aqueles mesmos que vinha salvar, assim a sociedade por ele fundada também neste ponto se parece com o divino Fundador. Com efeito, ainda que não neguemos, antes gostosamente e bendizendo A Deus confessemos que também nestes tempos tão agitados há muitos que, embora separados do redil de Cristo, olham para a Igreja como para o único porto de salvação, contudo não ignoramos que a Igreja de Deus não só é soberbamente desprezada e perseguida por aqueles que, menoscabada luz da sabedoria cristã, voltam miseramente às doutrinas, usos e costumes do antigo paganismo, mas frequentemente é desconhecida, descurada, aborrecida por muitos cristãos, que de  deixam seduzir pelas aparências, falsas doutrinas, ou arrastar pelos atrativos e corrupção do mundo[…]. (MCC 3)

O Papa espera reanimar a vida teologal dos fiéis e atrair para a Igreja as almas de boa intenção, o momento é oportuno porque todos os homens olham para a Igreja, além disso, o Papa cumpre seu dever de ensinar a verdade, de condenar os erros, de fazer resplandecer a natureza e a nobreza da santa Igreja.

De fato, enquanto por um lado perdura o falso racionalismo que tem por absurdo tudo o que transcende e supera a capacidade da razão humana, e com ele outro erro parecido, o naturalismo vulgar que não vê nem quer reconhecer na Igreja de Cristo senão uma sociedade puramente jurídica: por outro lado grassa por aí um falso misticismo que perverte as Sagradas Escrituras, pretendendo remover os limites entre as criaturas e o criador. (MCC 9)

Na primeira parte do documento o Papa discorre sobre a Igreja como corpo místico de Cristo, destacando os seguintes aspectos: nos planos de Deus, a Igreja é o instrumento de salvação das almas, destaca ainda a criação do homem como algo da vontade de Deus, no entanto com a queda de Adão (primeiro homem) toda a linhagem humana, infeccionada pela mancha original, perdeu o consórcio da natureza divina (cf. 2Pd 1,4), mais, no entanto, Deus em sua infinita bondade “amou tanto o mundo que lhe deu seu Filho Unigênito Jesus Cristo. (Jo 3,16). No entanto, a Igreja é um corpo e é  esta qualidade que a torna una e indivisível, e visível; este Corpo é organicamente constituído e dotado de uma hierarquia; ele é divinamente provido pelos sacramentos que são os meios vitais da santificação ; é o batismo e a profissão da fé católica que nos tornam membros deste Corpo.

Na segunda parte o Papa destaca união dos fiéis com a Igreja e afirma:  A Igreja não é um corpo qualquer, mas o Corpo de Cristo, porque Jesus Cristo foi o seu fundador, pela pregação do Evangelho, pelo sacrifício da Cruz, fonte dos três poderes da Igreja – o Magistério (poder de ensinar), a Ordem (poder de santificar) e o Jurídico (poder de governar) – e da sua infalibilidade, e pelo envio do Espírito Santo ;  porque Jesus Cristo é a sua cabeça, em razão da sua excelência como Deus e como mediador, devido à sua autoridade tanto celeste e indivisível como ordinária e visível pelo Papa pela Igreja universal, pelos bispos para as igrejas particulares, em razão das mútuas relações que ele mantém com sua Igreja, em razão da profunda semelhança que a sua Igreja mantém dele, em razão da sua plenitude de graça e de verdade, em razão da sua influência sobre o Corpo místico pela efusão da luz divina  e pela comunhão da santidade; porque Jesus Cristo é o seu sustento em razão da missão que ele deu aos Apóstolos, e em razão do Espírito de Jesus Cristo  que é o Espírito Santo morando no Corpo do qual ele é a alma unificante e vivificante; e porque Jesus Cristo é o seu Salvador.

No entanto, a Igreja é o corpo místico de Jesus Cristo e neste corpo místico, diferentemente de um corpo natural cada membro goza da sua subsistência e do seu fim próprios. No Corpo místico, diferentemente de um corpo moral, a unidade é intrínseca e sobrenatural.

O Papa lamenta a posição de alguns que tentam separar a Igreja jurídica, e defendem uma Igreja que tenha só o caráter da caridade, rejeitando a Igreja jurídica, na Igreja e pela Igreja nós estamos estritamente unidos a Jesus Cristo. Através de vínculos jurídicos e sociais – Esta união, tendo como fonte a vontade de Deus nosso Pai, tenso sua sede nas almas, tendo seu fim na glória de deus, é invisível. Mas ela é também visível e social pela profissão da mesma fé, pela participação do mesmo sacrifício, pela recepção dos mesmos sacramentos, pela submissão à autoridade do soberano Pontífice.

Além disso, destaca a importância das virtudes teologais – A estes liames visíveis e sociais se juntam os elos diretos e pessoais das três virtudes teologais: a Fé, a Esperança e a Caridade, a caridade em relação a Deus retorna necessariamente na caridade para com o próximo. Jesus Cristo nos conhece e nos ama por toda a eternidade, e nos une a ele. Assim, a Igreja é o « pleroma » de Jesus Cristo, sua plenitude, sua coroa, seu brilho.

No entanto, esta unidade se realiza pela presença do Espírito Santo nas almas dos justos, presença sobrenatural, misteriosa, espiritual que não nos tira da condição de criatura e nem a nossa própria natureza. Como sinal desta unidade temos a Eucaristia oferta do Sacrifício e recebimento do Salvador.

Na terceira parte temos uma Exortação Pastoral onde o Papa afirma que: Nesta difícil matéria. Circulam perigosos erros: falso misticismo que toma no sentido físico a noção de Igreja Corpo de Jesus Cristo; quietismo, que nega ou descuida da necessidade do combate e do esforço; redução da necessidade do sacramento da penitência; negação do valor impetratório da oração; ideia de que Jesus Cristo não deve ser o fim das nossas orações, mas somente o mediador.

O Papa apela para o amor à Igreja e para a honra de pertencer a ela: Amar o Corpo místico, com ardente caridade, traduzido em obras.  Este amor deve ser integral e não seletivo; amar a esposa de Cristo tal como Cristo a quis e a adquiriu com seu sangue; amar seus sacramentos, sua liturgia; devemos ver Cristo na própria Igreja ele deve imitar o próprio amor de Jesus Cristo à sua Igreja, ou seja: um amor católico (isto é, universal), um amor ativo e constante.

Os pais e mães têm um dever especial a este respeito. Roguemos para o aumento das vocações, por todo o Clero e por todos os membros do Corpo místico, assim, devemos imitar este amor de Jesus Cristo na oração pelas ovelhas errantes que ainda se encontram fora da Igreja. Devemos rezar pelos reis, príncipes e todas as autoridades civis, além disso, imitar a Cristo nos sofrimentos oferecendo-os todos para a Santa Igreja e para a salvação das almas, portanto, devemos fugir dos vícios, das seduções do século, das paixões desenfreadas da carne, e não menos da vaidade e futilidade das coisas terrenas. Enfim, este amor é cheio de compaixão, piedoso e reparador. Os cristãos devem amar verdadeiramente a Igreja e se oferecerem a Deus por ela.

Finalizando temos epílogo onde o Sumo Pontífice nos apresenta a Bem aventurada Virgem Maria é a mãe do Chefe e dos membros do Corpo místico de Jesus Cristo: e roga que ela nos inspire e nos obtenha um grande amor à Igreja católica; suplicamos a ela para que a Igreja seja constantemente vivificada e protegida. E termina com a Bênção apostólica

Fonte: http://w2.vatican.va/content/pius-xii/pt/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_29061943_mystici-corporis-christi.html

SÍNTESE DA CARTA ENCÍCLICA MEDIATOR DEI DE PIO XII

A Encíclica Mediator Dei constitui o segundo capítulo da obra iniciada em 1943, com a publicação da encíclica Mystici Corporis.

O atual documento trata da santidade do culto interno e externo que está em íntima relação com a prática da fé, com o exercício da virtude e com a verdadeira natureza do povo cristão. Embora dirigida a toda a Igreja Católica, a Encíclica, por motivo de ordem prática, refere-se quase que exclusivamente à liturgia da Igreja Latina, na qual se esboçou, nos últimos anos, um movimento de fé, que produziu frutos espirituais em número considerável. Mas precisamente porque se manifestou como uma reação àqueles que acusam de inertes e negligentes, esse movimento nem sempre se conservou dentro de seus justos limites, tendo provocado reações principalmente por parte daqueles que são contrários a qualquer novidade.

Evidentemente, isto constitui sério perigo à caridade e à unidade da fé e é em virtude disso que o documento pontifício faz um apelo aos preguiçosos e àqueles que temem qualquer espécie de justo progresso, julgando ao mesmo tempo ser necessário frear os imprudentes.

A presente Encíclica pode, portanto, de certo modo, ser chamada a “Encíclica do Santo Equilíbrio do Corpo Místico de Cristo”, levando-se em conta ainda outros motivos além daqueles que já foram expostos. Na realidade, tanto no terreno político como no social, vemos sempre manifestar-se na prática da religião uma tendência à criação de oposições e conflitos, onde na verdade não existe oposição ou conflito, mas, simples divergências de opiniões que podem e mesmo devem ser harmonizadas num plano de unidade superior.

Após dar uma ideia das diferentes oposições que se criaram artificialmente e esclarecê-las, o Papa dá sua opinião autorizada sobre todas as questões suscitadas nos últimos tempos no terreno especulativo e prático da santa liturgia. Desse modo, considera-a importante, não só para salvaguardar a santidade do culto e a pureza da fé, mas também para fazer aumentar a intensidade da vida espiritual.

Foram desenvolvidas, em particular, algumas questões de caráter prático, como canto moderno, o uso do missal por parte dos fiéis, os meios mais apropriados para fazerem os fiéis participarem da santa missa, o uso da língua latina, a cor dos ornamentos, as imagens dos santos e finalmente a criação de uma comissão em cada diocese, encarregada de assegurar a observação das normas litúrgicas.

Depois da introdução, onde estão expostos os motivos que levaram o Papa a publicar um novo documento, vem o desenvolvimento, dividido em quatro partes.

Na primeira, são expostos o caráter, a origem e o desenvolvimento da liturgia. Os seus parágrafos dão especial importância ao justo equilíbrio em Cristo àquilo que chama devoção objetiva, à dignidade sacerdotal e ao respeito pela antiguidade.

O objeto da segunda parte é o culto da Eucaristia: trata da natureza do sacrifício eucarístico, da maneira como é oferecido na Santa Missa. Trata, igualmente, da defesa enérgica da adoração do Santíssimo Sacramento, tal como se desenvolveu no curso do século.

A terceira parte explica como os mistérios da Redenção se encontram presentes nos atos litúrgicos. Recomenda calorosa devoção à Santa Virgem e a participação do povo nos atos solenes da liturgia católica.

A quarta parte é consagrada às exortações pastorais. Faz fervorosas recomendações de meditação, de exame de consciência, de prática de exercícios espirituais, de participação total nos sacramentos, de novenas em homenagem ao Sagrado Coração e à Santa Virgem. Não é proibido disciplinar estes atos com regras litúrgicas; é necessário, porém, impregná-los do mais absoluto espírito litúrgico.

O Papa retoma as palavras contidas na encíclica Mystici Corporis a respeito da confissão e da devoção, recomendando justa liberdade no caminho da vida espiritual, uma vez que as veredas do Santo Espírito são múltiplas. O Papa aproveita-se da oportunidade para pôr em particular relevo a prática dos exercícios espirituais, segundo o método de Santo Inácio, em virtude deles terem demonstrado ser de uma maravilhosa eficiência para a renovação do espírito apostólico e litúrgico. Em conseqüência, recomenda o desenvolvimento do espírito litúrgico por meio de sermões, artigos, reuniões e congressos. “É também necessário – diz o Papa – zelar atentamente para impedir a infiltração dos erros difundidos em nossa época e, em particular, do falso misticismo, do arqueologismo litúrgico exagerado, do quietismo e do naturalismo”.

Finalmente, no epílogo, que se propõe a estimular os fiéis a praticarem o bem e refrear os excessos, a Encíclica recomenda calorosamente o espírito de fervor, prudência, submissão e concórdia.

Este breve resumo basta para mostrar o número e a importância do tesouro contido nesse novo documento, que será certamente lido e estudado a fundo pelos círculos litúrgicos. A nova encíclica sacudirá os preguiçosos de sua inércia, assim como os negligentes e reconfortará os fervorosos; conterá o ímpeto dos audaciosos e iluminará a consciência de todos os povos.

Rafael Vitola Brodbeck

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